
Os dias seguem, os séculos se sucedem, o tempo não para. O sol nasce a cada amanhecer e se esconde ao findar do dia. Os planetas continuam em suas órbitas, as estrelas, ah!... as estrelas, estas, fixas, só emitem sua luz para embelezar nossas noites.
Itaocara não é um planeta, mas nem por isso deixa de estar ativa por todos os tempos. Constatamos que ela tem 120 anos, mas ela tem muito, muito mais – séculos, milhões de séculos. O Planeta Terra já conta essa idade e com ele Itaocara sempre existiu: eras pré-históricas, indígenas, ela sempre existiu.
Deixemos de conjecturas, falemos da Itaocara que já tem história contada em livros de Toledo Pizza, Alberto Lamego, Dr. Alaôr Scisínio, Professor Gamaliel, Nilza Viégas. Falemos da Itaocara-vila em 1808 e município em 1890. Falemos dos índios-puris, botocudos, caiapós e coroados – que povoaram nossas florestas antes que elas fossem cruelmente desmatadas e eles desumanamente dizimados. Falemos dos capuchinhos, do Frei Tomás de Castela, que empunhando a cruz de Cristo, batizou a Aldeia da Pedra aspergindo nela as águas abençoadas do Paraíba. Falemos da Itaocara cantada em versos pelos seus poetas e em cantigas pelos seus seresteiros. Falemos do Paraíba, rio cantante que beija as margens da cidade provendo a população de suas águas e da riqueza de seus peixes e crustáceos. Falemos do progresso nas comunicações e no transporte, no comércio, no crescimento social de sua gente. Falemos na cidadania que enobrece seus moradores, da liberdade na voz dos representantes de seu povo e da concepção democrática de seus governantes. Enfim, falemos, e por que não? De suas carências no campo industrial o que concorre para a falta de mercado de trabalho que empurra os jovens para os grandes centros onde a geração de empregos garante essa indesejada migração.
De fato, é motivo para festas e comemorações a passagem dos 120 anos de uma municipalização progressista, ordeira, harmoniosa e feliz. Parabéns aos itaocarenses, especialmente aos jovens que têm o comprometimento de fazer esta terra crescer sempre, sempre.
Noemi Cruz Teixeira